Lavacolhos
Lavacolhos
Na subida para Lavacolhos, o olhar estende-se para o cabeço da Argemela, num desafio à indiferença.
Saúdo-te com tambores!
Penitente da emoção,
No ar-geme-ela de amores
Lavacolhos no coração.
Gosto de passar pela rua central e apreciar o velho casario. Enfrentar a careta, no Largo da Amoreira. Afagar aquela mão gravada em granito mole, em frente da careta. A mão gravada tem a prolongar uma gravação, em pedras separadas MDCCIIL, outra porta mais uma data MDCCLLVIII. Quem sai daqui a fazer caretas sou eu por não saber decifrar tantos grafismos. Daquilo que o viajante sabe da Heráldica portuguesa diz: que estas pedras pertenceram à família Barata. Só uma mão não prova nada. Nestas ruas pela semana santa, há lugar a uma manifestação de raro sentir, “profissão dos penitentes.”
Cruzar-me com o meu velho amigo Jesuino, velho de saber, jovem como os outros. É uma figura muito querida desta aldeia. Foi sempre um prazer conviver com ele nos serões na taberna do Manuel Roda. — Ouviu à sua mãe: / Pastores da Argemela / que atirais vós ao gado? / Julgais que atirais pedras / mas é oiro encantado! Que em buracos na Argemela, há oiro escondido!… (Segundo José Inácio Cardoso, 1861, ─ ali costumavam ir cortar e lavrar os canteiros pedras para os portais dos edifícios, porque não as encontravam n’outro sítio vizinho. Um pedreiro da Barroca do Zêzere, vendeu uma argola de oiro por 60.000 réis.) Nas noites frias de 15 de Janeiro na festa ao Santo Amaro, o Sr. Jesuino canta sempre cantigas ao santo com a sua voz rouca e meiga. Esta voz parece carregar toda a história da aldeia, a música pura e as lendas de encantar. Lavacolhos irmanada com o cabeço da Argemela, lá ao fundo. Ainda se nota a cintura das muralhas do castro que urge defender!
Uma das lendas da Argemela
Vizinha do monte ocupado pelos Romanos, vivia uma linda moça lusitana que tinha o seu casamento ajustado com um dos mais destacados lugar-tenentes de Viriato. Na véspera do casamento os Romanos conseguiram raptá-la, procurando forçá-la a revelar notícias respeitantes ao noivo e à guerra que se travava entre eles e os Lusitanos. A heróica moça resistiu a todos os maus-tratos ao ponto de morrer queimada sem que revelasse, fosse o que fosse, contra os seus. Pelos séculos dos séculos, desde então, ficaram a ouvir‑se gemidos que pairavam próximo sobre o monte o que leva o povo a dizer: — No ar geme ela! Daí o nome por que ainda hoje o monte é conhecido – Argemela. Das referências que encontramos sobre a Argemela destacamos também: (O Domingo Ilustrado) de 1898. A partir da freguesia do Barco: Fica nos limites desta freguesia o pico do Argemela, que assistiu e dela guarda memória, à homérica luta entre os lusitanos capitaneados pelo patriota pegureiro dos Hermínios, Viriato, e as hostes romanas. O Argemela defronte com a povoação, onde está a sede da freguesia, da qual o separa o Zêzere, tem a altitude de mil metros, acima do nível do rio, é áspero de subir por ser em forma do pico ou cónica. A meio da encosta para a parte superior encontra-se uma série de três muros, a cerca de distancia uns dos outros de cinquenta metros; hoje estão arruinados pelo vandalismo ignorante dos vizinhos, que deles têm arrancado pedra para reparos nas habitações, destruindo assim um monumento arqueológico de valor. Esses muros davam a volta ao monte e devem ter sido, no seu tempo, boa obra de defesa auxiliados, pela aspereza do monte, que é muito íngreme. De que esta construção é obra dos romanos não há dúvida, porque no cimo do Argemela vêem-se as ruínas de um castro ou acampamento, dos que usava aquele povo. Diz a tradição que foi mandado fazer por um procônsul que se viu apertado pelos lusitanos; está também arruinado e pelo mesmo motivo como já dissemos corre perigo de desaparecer. É poética a lenda de que deriva o nome deste lugar. Uma virgem lusitana, que na vizinha povoação residia, tinha casamento ajustado com um dos chefes defensores da pátria. Outros etimologistas, menos dados a lirismos, dizem que o nome é corrupção da palavra árabe Aljobeila, que significa (pequeno monte). É custosa a subida ao pico do Argemela, mas o viajante que o atinge goza de lá magnifico espectáculo. O viajante de hoje não repara no desfasamento das cotas de altitude que o autor da época fez. Mas sente que por todos os tempos os sítios tocam os sentimentos dos seres humanos. Deveríamos fazer da defesa deste lugar um hino pela nossa história lendária. Vamos troca-lo (desfeito em pó) onde tudo regressará como filhos da terra perdendo a forma e a honra do Argemela. Eram de Lavacolhos os capitães de ordenanças: Manuel Antunes Dâmaso, Manuel Fernandes Gravito e José Fernandes Gravito, 1768/1807.
Diamantino Gonçalves 2007
11/25/2008 ás 11:57 PM |
[...] Blog Aromas de Luz, de Diamantino Gonçalves [...]
01/14/2009 ás 11:02 PM |
WwymMX gmnvyhmkwple, [url=http://qormfwiweedl.com/]qormfwiweedl[/url], [link=http://eiteddndnzul.com/]eiteddndnzul[/link], http://juviyjrownqc.com/
01/28/2009 ás 7:45 PM |
Olá Diamantino!
Que é feito de si?
Nunca mais deu notícias para o meu mai.
Passei agora pelo seu blog e gostei do que li.
Diga coisas!
Fátima Mendes